quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Meu Velho

Sem dormir há várias horas; como nos velhos tempos; tenho estado podre de sono; porém, delirante.
O que tenho feito então? Relembrando fatos maravilhosos; lido muito; escutado muitas músicas igualmente delirantes e, pesquisado muito na web.
Por exemplo, nesse período insone lembrei muito do meu amado pai. Quanta saudade! Você faz muita falta meu velho!
Senti falta de nossas longas conversas. Chorei deveras. Ele era único. Especial.
Na sua forma simples de interpretar a vida, discorria sobre tudo, sempre ligando todos os fatos á Deus.
Falava do passado e ligava-o ao futuro de maneira que chegava a arrepiar.
Sua tosca sabedoria impressionava.
Falava contigo como se enxergasse sua alma. (fantástica observação da Shalimar)
Amava á todos; indistintamente; até aqueles que o desprezavam.
Adorava principalmente á Deus e, a musica, as letras, os provérbios, o mar, as estrelas; enfim era um Ser maravilhoso.
Um dia contei-lhe um sonho que tivera sobre uma viagem de trem.
Descrevi tudo com todos os detalhes.
Ele ouviu atentamente e pediu que contasse como havia sido a partida desse trem.
Contei. E apito da partida? Era um hino, pai. O 273.
Ele ficou me olhando pasmado e, muito sério perguntou de cor era o trem?
Cinza azulado, respondi.
Ele sorriu e disse: Ah! Esse sonho é muito especial. Você viu o trem que vai para as estrelas.
Depois chorou. Perguntei por que chorava?
Quisera um dia estar nesse trem. Também tive esse mesmo sonho quando ainda era menino em Portugal, disse ele.
Hoje tenho certeza de que ele embarcou nesse trem.
Sinto sua falta e choro todos os dias. Jamais te esquecerei meu Pai.
Saiba que continuo a fazer aquele nosso vinho; especial.
Estou tentando repassar o que me ensinou á seus netos e netas; já que fui o unico filho que desejou continuar essa nobre arte.
Sei que estás no paraíso. Já encontrou a mãe?
E o Celestino? tem corrido muito? O André? tem dormido o suficiente? E o Sergio? com certeza está tocando seu trumpete na orquestra celestial.
Falando nisso hoje lembrei das sábias palavras da Rosana ( neta postiça, como ela sempre afirmou) por ocasião do velório da mãe e lembrando a total ausência dos velhos: E agora Abel? Quem vai orar por nós? Ninguém. Afinal restamos literalmente órfãos.
Ficaram as doces lembranças e um legado de dignidade e honra. Que muito nos orgulha!
Quanto á mim; espero um dia embarcar nesse trem das estrelas.

Um comentário:

Daniela Augusto disse...

Não importa se estão órfãos. O importante é que vocês têm pessoas importantes para lembrar, momentos lindos...
As pessoas vão embora, mas os pensamentos e a saudade ficam. Nunca esquecemos né? Impressionante.